Autenticidade é um daqueles temas que costuma provocar reflexões profundas em todos nós. Quem nunca se perguntou, diante de uma decisão, se está sendo fiel a si mesmo ou apenas seguindo o padrão imposto pelo olhar do outro? Ao longo de nossa presença em ambientes pessoais e profissionais, percebemos que a linha entre agir por valores e agir por aprovação nem sempre é clara. Mais do que um dilema, essa escolha molda nosso bem-estar psicológico, nossos relacionamentos e até os rumos coletivos que tomamos.
O que é agir por valores?
Agir por valores significa tomar decisões de acordo com aquilo que entendemos como correto, significativo e alinhado com o que damos sentido em nossas vidas. Os valores funcionam como uma bússola interna, apontando para escolhas autênticas, mesmo quando são desafiadoras ou impopulares.
Alguns exemplos frequentes de valores:
- Justiça
- Sinceridade
- Respeito
- Liberdade
- Solidariedade
Quando agimos por valores, sentimos uma coerência interna. As emoções, os pensamentos e as ações caminham juntos, trazendo uma paz interna, mesmo que a situação seja difícil.
Ser autêntico é sentir conforto em nossa própria pele, mesmo diante do desconforto externo.
Por que buscamos aprovação?
Muitas vezes, sentimos a necessidade de agradar, pertencer ou ser aceitos. Isso é natural, já que somos seres sociais. No entanto, quando a busca pela aprovação dirige nossa conduta, abrimos mão de quem somos para atender expectativas externas.
Em nossa experiência, percebemos que as principais causas dessa busca estão em:
- Medo de rejeição
- Necessidade de pertencimento
- Padrões culturais impostos
- Insegurança pessoal
- Falta de autoconhecimento
Alguém pode dizer “sim” quando na verdade gostaria de dizer “não”, apenas para evitar desapontar os outros. Outras vezes, ao escolher um caminho profissional, pode priorizar o reconhecimento externo em vez do próprio propósito. O preço? Um sentimento constante de inadequação.
Os sinais da incoerência interna
Quando pensamos, sentimos e agimos de modo desalinhado, surgem conflitos internos. Essa incoerência afeta nossa autoestima, aumenta a ansiedade e dificulta conexões verdadeiras. Em nosso cotidiano, já ouvimos relatos de pessoas que se sentem “desconectadas” de si mesmas, como se vivessem uma personagem.

Os principais sinais dessa incoerência são:
- Sentir-se esgotado após interações sociais
- Falta de motivação crônica
- Desânimo diante das próprias conquistas
- Tendência a se autocriticar em excesso
- Mudança frequente de opinião para agradar aos outros
Quando não somos autênticos, a aprovação dos outros nunca é suficiente.
Como diferenciar agir por valores ou aprovação
No dia a dia, não é simples separar essas motivações. Muitas decisões se misturam, e todos nós já experimentamos os dois lados. Podemos, porém, prestar atenção em algumas pistas práticas.
- Antes de decidir, pergunte a si mesmo: “Se ninguém soubesse o que eu fiz, ainda assim escolheria este caminho?”
- Avalie o incômodo: o desconforto da autenticidade costuma vir de fora, da reação alheia. O desconforto da inautenticidade nasce dentro.
- Note suas emoções: depois de uma decisão baseada em valores, mesmo que difícil, sentimos leveza ou orgulho silencioso. Quando baseada em aprovação, pode restar vazio ou culpa.
- Observe se há repetição de padrões: agir repetidamente contra o próprio desejo indica busca crônica por aceitação.
Cultivar momentos de introspecção, como escrever em um diário, conversar com alguém de confiança ou meditar, ajuda a esclarecer essas motivações. No fundo, nosso corpo e nossas emoções nos dão sinais claros sobre o que é autêntico.
O papel da maturidade emocional
A autenticidade está profundamente ligada à maturidade emocional. A medida que amadurecemos, aprendemos a lidar com a frustração de não agradar a todos, sustentando escolhas alinhadas com nossos valores, mesmo sob pressão externa.
Em nossos acompanhamentos, percebemos que pessoas emocionalmente maduras:
- Assumem responsabilidade pelas consequências de suas escolhas
- Reconhecem limites próprios e alheios
- Convivem melhor com críticas
- Valorizam o autoconhecimento
Maturidade emocional é manter-se fiel sem precisar provar nada ao mundo.
O impacto coletivo da autenticidade
Nosso comportamento autêntico influencia o entorno. Quando escolhemos agir baseados em valores, inspiramos outros a fazer o mesmo. Relações baseadas em autenticidade são mais profundas, verdadeiras e livres de jogos de manipulação.
Já ambientes onde todos agem apenas para se adaptar ou agradar se tornam superficiais e frágeis. Nessas circunstâncias, o medo de errar ou desagradar sufoca a inovação, a criatividade e o pertencimento verdadeiro.

Podemos notar a diferença no clima, na criatividade das equipes e até no engajamento das pessoas. A autenticidade é contagiante.
Como cultivar a autenticidade?
Não se trata de uma condição fixa, mas sim de uma construção cotidiana. Cada decisão é uma oportunidade de fortalecer o compromisso com nossos valores. Algumas atitudes ajudam bastante:
- Autoconhecimento: reserve momentos para refletir sobre o que realmente é importante para você.
- Percepção das emoções: escute o corpo, respire fundo ao sentir inquietação e questione a origem desse sentimento.
- Comunicação assertiva: pratique dizer o que pensa de modo claro e respeitoso, sem agressividade nem submissão.
- Aceitar imperfeições: agir de acordo com seus valores não significa sempre acertar, mas aceitar o aprendizado do percurso.
- Escolher companhia que respeite sua autenticidade: estar entre pessoas que valorizam quem você é, reduz a pressão pelo padrão externo.
A coragem de ser autêntico começa nas pequenas escolhas do dia a dia.
Cada vez que dizemos “não” para agradar os outros, mas “sim” para nós, aumentamos nosso respeito próprio. O efeito é liberador: menos peso, mais verdade. É um processo, não uma linha de chegada.
Conclusão
No cotidiano, a diferença entre agir por valores e agir por aprovação muda a forma como vivemos. Quando escolhemos a autenticidade, conduzimos nossa vida de forma mais coerente e leve, inspiramos honestidade em nossos vínculos e construímos relações mais sólidas. Agir por aprovação, por outro lado, pode trazer resultados imediatos, mas raramente gera satisfação a longo prazo. O desafio é constante, mas cultivar a sintonia entre consciência, emoção e ação é um dos passos mais recompensadores rumo a uma existência plena e íntegra.
Perguntas frequentes sobre autenticidade e aprovação
O que é autenticidade?
Autenticidade é a capacidade de agir de acordo com nossos valores, sentimentos e convicções, sem mascarar quem somos para agradar ou obter aprovação externa. Isso não significa rebeldia ou falta de respeito pelo outro, mas coerência interna entre pensar, sentir e agir.
Como agir baseado em valores?
Agir baseado em valores envolve reconhecer o que realmente importa para nós, escutar as próprias emoções e alinhar decisões e ações a esses princípios, mesmo diante de pressões externas. Práticas como autoconhecimento, diálogo aberto e reflexão ajudam a orientar nossas escolhas por essa bússola interna.
Por que buscamos aprovação dos outros?
A busca por aprovação é fruto da nossa natureza social: desejamos pertencer e ser aceitos. No entanto, quando essa necessidade se sobrepõe ao respeito próprio, acabamos nos distanciando da autenticidade e experimentando sentimentos de inadequação.
Qual a diferença entre valores e aprovação?
Valores são princípios internos que norteiam nossas decisões de acordo com quem realmente somos, enquanto aprovação está relacionada ao reconhecimento e aceitação por parte dos outros. Agir por valores traz coerência e sensação de significado, enquanto agir apenas para agradar pode trazer insatisfação a longo prazo.
Vale a pena agir para agradar?
Agir ocasionalmente para agradar aos outros pode fazer parte da convivência saudável, mas quando esse comportamento se torna habitual e vai contra nossos valores, nos sentimos vazios e desconectados. A longo prazo, vale muito mais equilibrar empatia e autenticidade, priorizando escolhas alinhadas com o que de fato acreditamos.
